domingo, 31 de maio de 2015

DIARIO DE UM CAÇADOR – PARTE 4 - por Adriano “Hayato” Shintate

      Embu das Artes: 28 de Julho de 2014, hora: desconhecida:

      Ai!!!!!!!, dói tudo, minha cabeça parece que vai explodir, tá tudo girando, minhas costelas doem horrores, dificuldades para respirar, sangue saindo pela boca, calma pense..., retome o controle, relembre  onde você está, o que estava fazendo, calma...., primeiro abra os olhos e analise a situação, ok..., estou sentado e amarrado a uma cadeira em uma grande sala retangular com dois corredores em suas pontas e duas escadas laterais que davam a um segundo ambiente.

      Ok..., se está doendo é por que eu ainda estou vivo, agora sei onde estou e o que vim fazer, estava caçando os lideres de um grupo de vampiros chamados de triunvirato, e esse grupo parece ser bem estruturado e está presente em todo o globo, onde cada continente é dominado por três vampiros anciões que ditam a vida dos outros vampiros naquele continente, no meu caso eu consegui matar facilmente dois deles, mas o terceiro Júlio Zartos me deu uma bela surra, e bem..., cá estou, amarrado nessa porcaria de cadeira.

      Muito bem, agora é hora de voltar ao mundo dos vivos pelo menos por enquanto!
Abro os olhos e começo a focar novamente a minha visão, tento controlar um pouco a dor, olho a minha frente vejo uma mesa muito bonita em estilo colonial, com talheres, copos, pratos, todos colocados com cuidado, de forma extremamente simétricas, como se eu estivesse em um restaurante de luxo, consigo sentir o cheiro da comida sendo preparada na cozinha, o cheiro é maravilhoso meu estomago começa a roncar, e penso em quanto tempo fiquei desacordado.

      Merda, merda, merda....., quanto tempo se passou, o que esse filho da puta fez comigo, será que ele me mordeu e me transformou, droga!!!!! Retome o controle imbecil, se você estivesse sido transformado em um vampiro, você não estaria com fome de comida e sim de sangue, portanto, uma boa noticia, eu não sou um vampiro, ainda!!!

      Tento me mexer novamente, e quem sabe afrouxar um pouco as cordas que me amarraram, para tentar uma fuga, noto que estou quase sem forças, e conforme me mexo sinto a dor aumentar de tal forma que quase perco a consciência novamente.

      Sinto novamente o cheiro da comida, parece deliciosa, começo a escutar alguém cantar uma canção tradicional portuguesa, e depois de algum tempo noto os passos do filho da puta vindos do corredor em direção à sala, ele está vindo!

      Ao entrar na sala, vejo que o vampiro trocou de roupa, estava usando uma camisa social branca, com um belo par de abotoaduras e uma gravata borboleta, cabelo liso e bem engomado amarrado em um rabo de cavalo, pele branca como mármore, e frios olhos azuis. Por mais que eu tentasse me controlar, o maldito exalava um cheiro de predador e conseguia me fazer arrepiar de medo. 

      Quando ele me viu sua expressão mudou, abriu um sorriso zombeteiro, seu olhar se tornou arrogante, saído de seu rosto frio e pálido, e então disse:

- Ora, ora, o nosso querido caçador resolveu retornar ao mundo dos vivos, acho que você deve estar com fome não é?
- Estou terminando de cozinhar aquele prato que eu tinha lhe dito lembra-se?
- Coração com cogumelos no vinho tinto do porto, é uma receita bem antiga que eu aprendi em Portugal, está lembrado?  

 Educadamente respondo:

- VAI SE FUDER!!!
- Por que tanto ódio, se eu quisesse você já estaria morto, ou melhor, você seria o meu novo servo! Ele olha diretamente nos meus olhos e complementa, - E fiel como um cão!!!
- Além do mais, você me prestou um grande favor se livrando daqueles dois idiotas lá embaixo, eles só atrapalhavam os meus planos e agora que estão mortos definitivamente posso colocar outros lideres que estejam mais abertos as minhas propostas.
- Sabe eu poderia te transformar em um desses lideres você tem todos os requisitos, é inteligente, rápido, e mal educado, mas isso pode ser mudado!
- basta você me pedir, e é claro me revelar alguns segredinhos.
Respondo sarcasticamente
- Claro...., me desamarra que eu te mostro como um caçador mostra lealdade com os vampiros!!! 
E nesse mesmo instante consigo afrouxar um pouquinho a corda que me mantem amarrado, aproveito e dou uma olhada onde estão as minhas armas.
Levo outro soco no rosto, e o mundo gira novamente!
- Se fosse na minha época caçador, você estaria sendo levado para uma fogueira, acusado de bruxaria!
- Ah que saudades dessa época meu jovem, era tão fácil me livrar de pessoas indesejáveis como você, eu só precisava mandar alguém espalhar a noticia de que havia um certo bruxo nas redondezas que a inquisição vinha correndo para levá-lo para a tortura e depois, fogueira!
 Aproveito esses segundos em que o idiota fica contado as suas ladainhas, para olhar novamente em volta e achar as minhas armas dentro da sala, noto que todo os meus equipamentos estão próximos de mim, ótimo!!!
Penso rápido, e vejo que se eu cair do lado certo posso pegar as minhas armas, agora só falta eu terminar de desamarrar. 
Portanto, continue fazendo esse idiota falar!!!
- Era muito engraçado ver vocês correndo uns atrás dos outros, se matando, enquanto nós prosperávamos.
- Também não vou mentir que adorava acompanhar as execuções chegava a ser cômico e até prazeroso a forma como vocês faziam as execuções das supostas bruxas, pagões, ou quem não era conveniente para vocês!
Ótimo, continue falando seu merda, só mais um pouquinho!
- Mas são tempos que não voltam, uma pena!!!
- Muito bem onde paramos, ah sim vou pegar o seu prato acho que já está pronto, não saia dai! 
Enquanto ele se dirige para a cozinha cantando aquela porcaria de musica portuguesa, me apresso em tentar me desamarrar, mas as dores no corpo me obrigam a parar de minuto em minutos, a boa noticia é que estou quase conseguindo, falta muito pouco, a má é que o filho da puta já esta voltando.

      Droga o cheiro da comida está me matando, parece que dá mais fome, FOCA IMBECIL, FOCA, droga de corda!!!
E quando estou quase terminando de me desamarrar, ouço passos vindo da cozinha em direção da sala.

      Ao chegar Júlio traz uma garrafa do vinho do porto e uma panela inox, com um cozido quente fumegante, com um cheiro maravilhoso de carne vermelha temperada com  vinho e especiarias, admito que cheguei a salivar e o meu estomago roncou de tanta fome, olho para o lado e me concentro novamente nas cordas.  Falta muito pouco, estou quase me soltando.

      Ao notar que eu virei o rosto, Júlio abre um grande sorriso, e diz como se conseguisse ler os meus pensamentos.

- Esta com fome não é? 
Então ele abre o vinho e serve em uma taça prateada toda ornamentada, depois ele abre a panela e o cheiro maravilhoso da comida invade as minhas narinas e os meus pensamentos, não resisto e o vejo servir o prato, chego a perder um pouco o foco, após servir da forma mais elegante possível, ele volta a falar:
- Sabe de uma coisa que eu invejo vocês?
Diante do meu silêncio, segurando a taça de vinho, ele responde:
- E a de vocês poderem apreciar uma boa comida, um bom vinho, fazer coisas prazerosas, eu daria de tudo para ter essa sensação novamente, mas como não posso, sinto prazer em prepara-las para pessoas especiais como você.
- Portanto sinta-se privilegiado, e colabore comigo, para que você possa apreciar essa iguaria única e esse bom vinho.

Só mais um pouquinho, só mais um pouco!!!
Ele pega uma colher enche com o cozido e coloca próximo da minha boca e diz:
- Muito bem, hora de voltar aos negócios, você responde o que eu te perguntar e você ganha comida!
Estou quase conseguindo, vai porra, consegui, pronto agora hora de botar o plano B, em pratica.
- Primeira pergunta, quem te financia?
 Então olho diretamente nos olhos do filho da puta e respondo:
- Uma instituição chamada clube de caça, ligada à inquisição da igreja católica.
- Ótimo..., vejo que podemos progredir. 
Ele me serve um pouco do vinho e põe a primeira colherada do cozido na minha boca e quando ele retira a colher, sinto o gosto maravilhoso da comida, os temperos e o álcool do vinho, quase sinto dó no que eu ia fazer.

      Sem perceber nada, Júlio faz uma nova pergunta... Espera ai, por que eu estou chamando esse merda pelo nome, ele é um vampiro porra, nem vivo é! Não merece ser chamado pelo nome, não passa de um morto vivo, um parasita que vive para sugar o sangue e a vida de suas vitimas.
Me encho de ódio e ignoro a segunda pergunta, e  sem pensar duas vezes, cuspo toda a comida que o vagabundo colocou na minha boca na cara dele!

      A fome desapareceu completamente, bem como, as dores no corpo, e espero ansiosamente pela retribuição do desgraçado, o que não demora a acontecer, acompanhada de xingamentos em português de Portugal.

      Com um forte tapa, o vampiro conseguiu me jogar no chão, bem próximo as minhas coisas. Aproveito a chance, termino de me desamarrar e arrasto a bolsa com as minhas armas e tento pegar as pistolas, só que o vampiro ao perceber o que estava acontecendo se movimentou como um borrão e quando eu menos esperava o filho da puta já estava me erguendo pelo pescoço.

      Só que para a minha mais pura sorte, eu consegui pegar uma das minhas pistolas, justamente a que tinha as balas abençoadas, e sem pensar duas vezes eu dou um belo tiro na cabeça do infeliz, o tiro fez um certo estrago, suficiente para que ele me soltasse.

      Aproveito a oportunidade para recuperar o folego, pego a mala e corro para a mesa, ao chegar dou mais dois tiros no filho da puta. Ambos acertam o ombro e o peito, mas ainda não eram suficientes para derruba-lo.

      Praguejando o vampiro volta a se mover novamente como um borrão, só que dessa vez eu estava preparado para ele, com um braço tampo o meu rosto e com o outro pego a panela ainda quente e jogo o seu conteúdo no borrão. Ouço gritos e uma batida seca vindo do vampiro que bateu com tudo na mesa, aproveito a oportunidade e pego uns frascos com água benta e jogo no infeliz, ouço gritos de dor e agonia, e depois vejo essas expressões se transformarem em ódio puro.

      Dou uma ultima olhada no vampiro e vejo que ele está com a cara e partes do seu corpo queimado, e soltando fumaça. Não penso duas vezes pego a minha mala e vou correndo para a porta da frente da casa, hora do plano B, no caminho pego a única coisa que pode me salvar, o meu celular e começo a digitar os códigos de explosão das bombas que eu tinha deixado espalhados em volta da casa.

      Ao chegar à porta dou uma ultima olhada para trás, vejo que o vampiro se levantou e esta começando a se correr na minha direção, consigo mesmo que por alguns instantes ver seu olhar frio, se transformar em insanidade, ódio e fúria.

      Ao mesmo tempo escuto os barulhos de piiii..., das bombas sendo acionadas, só tenho tempo de proteger a cabeça e voltar a correr, BOOMMM!!! 
Meu corpo é empurrado com tudo para frente, devido à onda de choque, perco novamente a consciência, quando acordo sinto uma dor gritante no meu braço esquerdo, provavelmente está quebrado, meus ouvidos zunem, sinto o gosto de sangue na boca e em cima de mim tem madeira e escombros. Tento voltar a ter um pouco de controle do corpo e com o braço bom começo a tirar os escombros, quando retiro o suficiente para ver a situação da casa, tomo um susto!

      O filho da puta do Júlio Zartos, ainda estava vivo, ou o mais próximo disso, sem o braço direito e com a maior parte do corpo queimado, sem contar o vergalhão de ferro que estava enfiado na perna esquerda, ao me ver ele começou a se arrastar até mim, dizendo com o que sobrou das suas cordas vocais.

- Caçador provavelmente eu morra aqui, mas pode ter certeza que eu vou te levar junto comigo para o inferno!!!!
Eu estava quase sem forças, e ainda preso debaixo dos escombros entro em desespero, começo a chorar, penso mais uma vez na minha família, e  que não vou conseguir cumprir a promessa de vingança, e entre choros, começo a pedir desculpas a minha falecida mulher Fernanda que havia dado luz a nossa primeira e única filha.

      Ainda desesperado tento encontrar alguma madeira, ferro, ou pedaço de escombro, que eu possa usar como arma, acho um pedaço de ferro, e aguardo o filho da puta vir, se vou morrer, vou morrer lutando.

      São seis minutos desesperadores, o vampiro se movimentava lentamente às vezes caía, para se levantar ou simplesmente se arrastava na minha direção, quando chegou próximo a mim caiu com tudo em cima de mim, outra onda de dor percorreu meu corpo, golpeei o seu corpo ele sentiu o impacto suficiente para abrir um pouco de espaço, virei o pedaço pontudo do ferro, e acertei o seu pescoço gritando com as minhas ultimas forças:

- PORQUE VOCÊ NÃO MORRE SEU DESGRAÇADO, MORRE, MORRE!!!
O acerto umas três vezes no pescoço, só que quando eu ia dar o quarto golpe o vampiro segura o meu braço, vira o seu corpo levanta o seu rosto com boca aberta e com os seus caninos a mostra, ele mira na minha jugular. Só que nesse exato momento vejo um chute acertando com tudo a cabeça do vampiro tirando-o de cima de mim.

      Olho na direção do chute e vejo 4 homens todos vestidos com roupas de bandas, correntes, coturnos, no melhor estilo skinhead e um outro entrando este sim muito bem vestido, com um terno cinza chumbo, cabelo bem cortado, sem barba, com uma idade aparente de uns 25 a 28 anos, olho para a cor da pele e xingo, branco pálido (droga).

      Vejo esse cara dando ordem para os outros:

- Muito bem senhores, fiquem a vontade não é todo dia que temos sangue de ancião para nos deliciar.
Ao falar isso os skinheads pularam em cima de Júlio e começaram a tomar o sangue que sobrou dele, entre os gemidos de desespero do Júlio, volto a entrar em desespero pois esses caras são vampiros e eu estou ferido e sem armas, e provavelmente vou ser o próximo.
Enquanto os skinheads se banqueteavam, o vampiro de terno se voltou para mim e disse:
- Ora, ora, ora se não era o caçador que estávamos procurando, quem diria que ele jogaria seus planos na internet, saiba que estou te monitorando já tem um tempo?
Pego outro pedaço de ferro só que dessa vez menor, e tento apontar para ele.
Ele dá um tapa na minha mão e manda o pedaço de ferro para longe, olha mais uma vez para mim e diz:
- li o seu diário on-line, vejo que tem caçado bastante, além dos mundanos, tem outros vampiros que tem lido o que você tem escrito e digamos que você chamou a atenção da nossa rainha, e estamos atrás de você desde então.

      Nesse exato momento começo a escutar barulhos de sirenes, olho em volta os skinheads estão com as bocas sujas de sangue, olho para o engomadinho e digo:

- E ai o que você vai fazer comigo?
Ele responde com um forte soco na minha cara, suficiente para me fazer perder a consciência, antes de perder a completamente os sentidos, o escuto dizer:
- Vamos te levar para ver a sua filha!!!! 
E o mundo se apaga novamente.

EPILOGO:

     Cidade do México, 19:30 hora local:

      Um homem corre pelas vielas de uma favela da Cidade do México, ele está assustado e com medo, seus amigos membros de uma gangue local estão todos mortos, a única coisa que ele sabe é que eles foram caçados um a um por uma jovem, não mais que 14 ou 15 anos, rápida como o vento e mortal como uma navalha afiada.

      Começa a chover uma chuva forte, o medo da vitima é palpável ele tenta encontrar algum lugar aberto, nada, ele continua correndo está em desespero, entre as vielas ele tenta entrar nos barracos, mas todos estão fechados, até que finalmente ele entra em uma viela sem saída.
Ele puxa a sua arma e tenta se esconder em um canto qualquer ao lado de um alambrado, empunhando a sua arma, um 38 simples com seis balas, ele está tremendo mais que um graveto ao vento. 

      Finalmente ele escuta passos, os mesmos passos que ele escutou enquanto fugirá de casa ele aponta a arma com mais força, e começa a rezar, eis que repentinamente os barulhos de passos terminam a chuva também, ele continua olhando fixo para frente, eis que de repente ele sente alguma coisa atravessando a parte de trás da sua garganta, o sangue começa a invadir a sua garganta, seus pulmões e lentamente morre asfixiado.

      A sua ultima visão era de uma mulher linda com cabelos cumpridos ruivos, de olhos vermelhos rubis, pele clara pálida opaca sem vida, vestindo um espartilho de couro negro que realçava o seu colo, e as curvas do corpo, e uma calça de couro que destacava os contornos das suas pernas, estava se encaminhando na sua direção antes de morrer.

      A assassina aparece e tira a faca que matou o homem, mas não se mostra a vista da misteriosa mulher. Sem se importar muito a mulher misteriosa olha para a assassina que está meio escondida e diz:

- Olá minha querida filha, creio que seja o momento de conhecer seu querido pai!!!
- Mas o meu treinamento ainda não está completo mãe!
- Sim minha querida, por isso que eu estou te levando para o seu pai ele vai terminar o seu treinamento, prepare as suas coisas, você partirá logo.
- Como queira mamãe.

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  • 3 comentários:

    Anônimo disse...

    Linda historia, eu amei, tudo que queria era me tornar vampira.. se tiver um vampiro por ai me morda que eu o servirei por toda eternidade.

    Yukii sama disse...

    Se é lokko
    Mais eu posso te morde se quiser

    Anônimo disse...

    TCS é incrível como vcs "humanos" criam histórias patéticas sobre nós vampiros

    Respondendo sua pergunta eu aceito te morde to com sede faz tempo